Fernanda Abreu revitaliza o batuque samba-funk de 1995 no envenenado show dos 30 anos do álbum 'Da lata'

  • 12/04/2026
(Foto: Reprodução)
Fernanda Abreu mostra no palco da casa Vivo Rio que o 'veneno da lata' ainda surte efeito no show em que celebra os 30 anos do álbum 'Da lata' Rodrigo Goffredo / Montagem g1 ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Da lata 30 anos Artista: Fernanda Abreu Data e local: 11 de abril de 2026 no Queremos! Festival no Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Lá se vão 31 anos desde que Fernanda Abreu turbinou o pop brasileiro de pista com o suingue balanço funk do álbum “Da lata”, disco de 1995 que definiu o sotaque da cantora e compositora carioca na babel sonora nacional. Imune à ação corrosiva do tempo, o veneno da lata ainda surte efeito devastador, como ficou comprovado na estreia do show “Da lata 30 anos” na noite de ontem, 11 de abril, em apresentação na casa Vivo Rio. Desdobramento do projeto multimídia que celebrou em 2025 as três décadas do álbum “Da lata” com documentário, livro, edição do disco em LP e lançamento de remix inédito da música “Garota sangue bom” (Fernanda Abreu e Fausto Fawcett, 1995), o show chegou à cena dentro da programação da edição 2026 do Queremos! Festival. A estreia nacional do show celebrativo de Fernanda tinha mesmo que ser no Rio de Janeiro (RJ), cidade natal dessa artista que veio ao mundo em setembro de 1961. Cidade tão socialmente caótica quanto maravilhosamente musical, o Rio é o berço do batuque samba-funk que Fernanda amalgamou no álbum “Da lata” com toques de R&B e de rock moldado para pista pop dance, caso de “Babilônia rock” (Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Guto Graça Mello, 1995), uma das músicas do roteiro. Se o Brasil é o país do suingue, como sentencia a música composta por Fernanda para o disco em parceria com Fausto Fawcett, Carlos Laufer e Hermano Vianna e revivida no show, o Rio é a capital do balanço do samba e da batida do funk. Com banda afiada que reuniu músicos como o guitarrista Billy Brandão, o percussionista Jovi Joviniano e o baterista Tuto Ferraz, além do vocalista e dançarino Che Leal, presença iluminada em cena, Fernanda Abreu apresentou show envenenado que reprocessou a estética visual da artista na época, inclusive nos figurinos e na cenografia feita com vídeos. A magia se fez especialmente quando o público, reverenciando a cantora, fez coro no refrão da já supracitada música “Garota sangue bom”, fazendo justiça a Fernanda Abreu, senhora artista no cuidado com a formatação de qualquer show ou disco. Nem a insistente microfonia e outros problemas técnicos no som – a cantora não conseguiu ouvir alguns instrumentos a contento – empanaram o brilho do show, valorizado por projeções com imagens da época da gravação e lançamento do álbum de 1995. Com aparência e energia joviais que desmentem os 64 anos da artista, Fernanda revitalizou o suingue balanço funk e ainda trouxe músicas de outros álbuns para o que conceituou como “universo da lata”. Marco da criação de um pop de pista à moda brasileira, feito com ecos da então desvalorizada disco music, o primeiro álbum solo da cantora, “Sla radical dance disco club” (1990), foi representado pelo revival de “A noite” (Fernanda Abreu, Carlos Laufer e Luiz Stein, 1990) e da balada “Você pra mim” (Fernanda Abreu, 1990), esta cantada com a projeção de desconexas imagens alusivas ao álbum “Da lata”. Em momento de beats desacelerados, com cadência mais próxima do R&B, a cantora fez set que caracterizou como “baile charm”. Foi a deixa para a lembrança de canções mais lentas como “Dois” (Fernanda Abreu, Pedro Luís e Will Mowat, 1995) e “Um dia não outro sim” (Fernanda Abreu e Marcelo Lobato, 1995). No fim, esquentando novamente a chapa, a cantora caiu no suingue do rap-samba-funk “Rio 40 graus” (Fernanda Abreu, Carlos Laufer e Fausto Fawcett, 1992) – incendiário hino carioca lançado pela artista no segundo álbum solo, “Sla 2 – Be sample” (1992) – e disparou o rap “Kátia Flávia, Godiva do Irajá” (Carlos Laufer e Fausto Fawcett, 1987), do qual Fernanda se apropriou em 1997, já no posto de entidade urbana carioca. Dois pot-pourris – um com música do universo black Rio dos anos 1970 (mas abarcando até tema que celebra o bloco afro baiano Ilê Aiyê) e outro com funks cariocas (surgido em 2006 no primeiro registro de shows da discografia da artista) – prepararam o clima folião do gran finale, feito com o samba-enredo do Carnaval carioca de 1982, “É hoje” (Didi e Mestrinho), em ritmo de funk, releitura feita por Fernanda em 1996 para comercial e incorporada ao álbum “Da lata”. O final surtiu efeito explosivo porque o batuque samba-funk de Fernanda Abreu ainda é da lata, como se elogiava na gíria dos anos 1990, década da consolidação do pop dançante da eterna garota carioca suingue sangue bom. Fernanda Abreu estreia o show 'Da lata 30 anos' na casa Vivo Rio, dentro da programação do Queremos! Festival Rodrigo Goffredo

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/04/12/fernanda-abreu-revitaliza-o-batuque-samba-funk-de-1995-no-envenenado-show-dos-30-anos-do-album-da-lata.ghtml


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