Sem os festivais criados e produzidos por Solano Ribeiro a partir de 1965, a MPB não teria surgido com tanta força

  • 31/10/2026
(Foto: Reprodução)
Solano Ribeiro (1939 – 2026) foi nome fundamental na história da música brasileira por ter criado e/ou produzido importantes festivais Divulgação ♫ OBITUÁRIO ♬ Ocorrida na madrugada deste sábado, 31 de outubro de 2026, a morte do músico e produtor Solano Ribeiro, aos 87 anos, tira de cena um dos nomes mais importantes da história da música popular brasileira, em especial daquela música surgida nos anos 1960 e rotulada como MPB. A atuação de Solano Ribeiro foi quase toda nos bastidores, mas foi tão decisiva que não é exagero dizer que, sem Solano, talvez a história da MPB fosse outra. Ou talvez nem existisse MPB da forma como ela foi caracterizada e organizada a partir de 1965, quase como se fosse um movimento. É que Solano Ribeiro foi o idealizador e/ou produtor dos festivais mais relevantes realizados entre 1965 e 1972, período denominado como a era dos festivais. E os festivais foram a plataforma que deu projeção nacional a quase todos os gigantes da MPB por terem sido realizados e exibidos por emissoras de TV como Excelsior, Globo e Record. Com exceção de Maria Bethânia, irrompida como furacão em fevereiro de 1965 no palco do show “Opinião”, todos os ícones daquela geração imbatível ganharam visibilidade e consolidaram as então iniciantes carreiras nos palcos dos festivais da canção – a começar por Elis Regina (1945 – 1982), cantora que venceu o I Festival de Música Popular Brasileira, produzido em 1965 pela TV Excelsior por iniciativa de Solano. E é aí que entra a importância fundamental de Solano Ribeiro, menino paulistano nascido em 1939 que, na adolescência, se encantou pela música ao ganhar um violão de uma tia. Encanto que o levou ao rock'n'roll e, em 1957, ao posto de um dos vocalistas do grupo juvenil The Avallons, um dos primeiros conjuntos de rock da cidade de São Paulo (SP). Mais tarde, nos anos 1960, quando já trabalhava na televisão, Solano ajudou a mudar o curso da história da música brasileira ao propor a criação dos festivais com inspiração no sucesso que o Festival de San Remo fazia na Itália com ecos em todo o universo pop ocidental. Finda a era do rádio, a TV já começava a se tornar um veículo de massa e os festivais – produzidos entre as cidades de São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), epicentros culturais do Brasil – contribuíram para a crescente hegemonia do veículo e para unir o país em torno da música. Foram os festivais que, pela TV e com o apoio da indústria fonográfica, deram um rosto e uma voz a ídolos como Elis, Chico Buarque (revelação do festival de 1966), Caetano Veloso e Gilberto Gil (arquitetos da Tropicália, movimento deflagrado em antológico festival de 1967), Milton Nascimento (revelação em 1967 do primeiro Festival Internacional da Canção, o FIC), Gal Costa (1945 – 2022) – divina e maravilhosa em festival de 1968 – e Edu Lobo, entre outros grandes artistas. Os festivais deram um sentido de movimento à música rotulada como MPB. Surgiu ali uma estética musical que se beneficiou da força dos festivais. Assim como os festivais também se alimentaram da força dessa geração excepcional que o tempo provou ser imbatível. Solano Ribeiro, que se apaixonou por Elis Regina ainda em 1964, não descobriu essa geração, como fazia questão de ressaltar, mas abriu espaço para que ela florescesse. “O papel de produtor para o qual eu me elegi foi mais o de um arquiteto e construtor de momentos emocionais, colocando artistas perante o público certo no momento certo”, resumiu Solano Ribeiro na introdução do livro de memórias do artista, “Prepare seu coração – Histórias da MPB”, editado em 2003. Deu tão certo que não é exagero afirmar que a MPB não teria se projetado com tanta força e de forma tão instantânea na cena nacional sem os festivais cheios de som, fúria (dos perdedores) e paixão idealizados e/ou produzidos por Solano Ribeiro a partir de 1965.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/10/31/sem-os-festivais-criados-e-produzidos-por-solano-ribeiro-a-partir-de-1965-a-mpb-nao-teria-surgido-com-tanta-forca.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Top 5

top1
1. Amor de Verdade

MC Kekel e MC Rita

top2
2. Bella Ciao (HUGEL Remix)

El Profesor

top3
3. Trem-Bala (feat. Ana Vilela)

Jetlag Music

top4
4. Show Me Love

Robin Schulz & J.U.D.G.E.

top5
5. Nossa Conversa (Apollo 55 Remix)

Kell Smith

Anunciantes